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CONFLITOS DE TERRA

CAMPANHA: MOÇÃO DE APOIO À RESERVA EXTRATIVISTA DE TATAJUBA/CAMOCIM

Denúncia apresentada pela comunidade de CURRAL VELHO (Acaraú)

 

CONLFITOS DE TERRA NA ZONA COSTEIRA CEARENSE

Os espaços de vida e de trabalho das comunidades pesqueiras em quase todo litoral cearense vêm sendo objeto de acelerado processo de ocupação e utilização, dando lugar a múltiplas formas de uso e gestão territorial, a acirradas disputas e a acordos tácitos para a sua estratégica incorporação à dinâmica econômica. A urbanização e o desenvolvimento turístico têm levado, em várias comunidades, à especulação imobiliária, a posse de terras mediante o registro oficial de falsas escrituras. O direito de morar na zona costeira é um desafio constante para as populações pesqueiras: desde o final da década de 70, as comunidades se vêm ameaçadas de perder os seus diretos de reais proprietárias da terra para especuladores imobiliários, que têm o governo estadual, interessado em promoção turística, ao seu lado. A insegurança com relação à titularidade da terra se agrava diante do poder econômico que passa a valorizar os terrenos de praia para os seus investimentos. Não existe uma demarcação dos terrenos da marinha e nenhum tipo de ordenamento territorial que assegure aos moradores a permanência em seus lugares. A especulação imobiliária tem provocado um processo de deslocamento das populações, em nível local como em direção à capital do Estado. O objetivo das comunidades é a regularização dos espaços de assentamento, o direito a livre acesso ao litoral e a participação no turismo, através de um modelo de turismo comunitário sustentável.

Conflito de terra em Tatajuba/Camocim

Várias comunidades do litoral do Ceará estão enfrentando conflitos com respeito à regulamentação das suas terras. A comunidade de Tatajuba vem questionando a legalidade da instalação de um gigantesco empreendimento turístico no seu território. A empresa Vitória Régia Empreendimentos Imobiliários Ltda., com sede no Estado do Rio de Janeiro, pretende implantar o grande projeto turístico intitulado Condado Ecológico do Camocim numa área de 5.275 ha de terras. Diante da possibilidade de ter que deixar seus locais de moradia, ocupados desde o século XIX, a Associação Comunitária de Moradores de Tatajuba, em 2001, impetrou ações na justiça questionando a validade de documentos de propriedade de terra da empresa. A ilegalidade dos documentos é explicita, não apenas por englobar a extensão habitada secularmente pelos moradores, mas também as áreas consideradas pela legislação brasileira como Áreas de Preservação Permanente (segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis/IBAMA, cerca de 60% da área em conflito) bem como aquelas consideradas como propriedades da União.

VISITE O SITE: http://www.geocities.com/novatatajuba

Conflito de terra em Maceió/Itapipoca

Outro empreendimento turistico em busca de parceiros no mercado investidor europeu é o complexo turístico Praia do Pirata, de 216 hectares, no município de Itapipoca, a 190 km de Fortaleza. O Assentamento Maceió, situado na área citada, é ocupado por mais de 660 famílias, que vivem na área há cerca de seis gerações e se sustentam de atividades agrícolas, da criação de animais e da pesca. Os direitos de posse da comunidade foram garantidos através da desapropriação da terra feita pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária/INCRA e a criação do Assentamento no ano de 1984. O projeto turístico Praia do Pirata do empresário português Antônio Júlio de Jesus Trindade, que alega ter adquirido terras na área em litigo, ameaça gravemente o espaço de vida da população. Em 2002, as comunidades do Assentamento Maceió entraram com ação na justiça para defender a preservação ambiental e as condições essenciais da sua sobrevivência.

 

last modified : 04/07/2003

 


 
 
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